Secas em Manaus: os desafios da navegação e do abastecimento na região Norte

A possibilidade de intensificação do El Niño nos próximos meses já acende um alerta para diversos setores da economia. No Norte do Brasil, onde o transporte fluvial é essencial para o abastecimento da região, empresas e importadores acompanham de perto os impactos da estiagem para planejar embarques e evitar interrupções na cadeia de suprimentos.

Para entender sobre as mudanças logísticas da região nos últimos meses de 2026, conversamos com o Diretor Executivo Geral do Porto Chibatão, Jhony Fidelis.

Para os locais e participantes do setor logístico, as secas fazem parte do ciclo natural da região amazônica, ocorrendo entre os meses de setembro e novembro. Nos últimos anos, porém, os eventos climáticos extremos se tornaram mais frequentes e intensos. O resultado foi cinco grandes estiagens e quatro cheias severas, desde os anos 2000, cenário que tem aumentado os desafios para a logística local.

Esse contexto afeta diretamente uma das principais rotas de abastecimento do país. O transporte fluvial é responsável por movimentar cerca de 89% de toda a carga transportada pelas hidrovias brasileiras, conectando polos industriais, centros de distribuição e consumidores em toda a Região Norte.

Com a redução do nível dos rios Amazonas e Madeira durante os períodos mais críticos de estiagem, a navegação de grandes navios passa a enfrentar restrições operacionais.

O Diretor, nos relatou sobre os pontos mais sensíveis para a navegação. O Tabocal do Rio Amazonas e na Enseada do Rio Madeira, são as principais regiões de alerta, pois nessas localidades os níveis ficam abaixo da média, não permitindo que navios cargueiros naveguem pelos trechos devido a chance de encalhe.

“Os efeitos do El Ninõ e do aquecimento global tem impactado também o Panamá, que nos últimos anos aplicaram a redução de calado nos navios para que pudessem passar no canal sem risco de encalhamento”, comenta.

Para garantir o abastecimento do Polo Industrial de Manaus e manter o fluxo logístico da região, é necessário um planejamento preventivo e uma operação adaptada às condições dos rios.
Na logística do maior complexo portuário privado da América Latina, Jhony informou que a intensidade das restrições depende diretamente do comportamento climático ao longo do ano, o que exige acompanhamento constante dos níveis dos rios e planejamento por etapas.

Setembro e outubro

A estimativa para este ano é que os meses de setembro e outubro sejam marcados por restrições de calado. Na prática, isso significa que os navios precisam navegar com menos carga para atravessar os trechos mais críticos dos rios com segurança.

Nesse período também ocorre a mobilização do Píer Flutuante em Itacoatiara, estrutura que será utilizada caso a estiagem avance para níveis mais severos.

Novembro e dezembro

Caso o cenário de seca se intensifique, a expectativa é que nos meses de novembro e dezembro exijam a operação completa de transbordo.

Nesse estágio, os navios deixam de seguir até Manaus e passam a descarregar os contêineres em Itacoatiara, onde a carga é transferida para balsas capazes de navegar pelos trechos de menor profundidade.

“O mais correto seria manter uma dragagem permanente e eficaz, possibilitando a navegação dos navios sem restrição durante todo o ano. Na ausência da dragagem, a única alternativa é posicionar um Píer Flutuante na região de Itacoatiara, antes dos locais restritos a navegação dos navios e transbordar cargas para as balsas e essas balsas navegarem até Manaus”, explica Jhony.

A operação funciona em três etapas estratégicas:

  1. Abastecimento do píer: Os navios de grande porte atracam no Píer Flutuante posicionado em Itacoatiara, localizado antes dos trechos de menor profundidade e restritos à navegação.
  2. Transferência de containers: Utilizando os guindastes do próprio navio e da estrutura flutuante, os contêineres são transferidos diretamente da embarcação principal para balsas.
  3. Transporte por balsas: Por possuírem menor calado operacional, as balsas conseguem transitar com segurança pelos canais rasos do rio até a atracação final nos portos de Manaus.

Impactos na indústria e comércio

Os efeitos das secas em Manaus vão além da logística portuária e impactam diretamente o planejamento das empresas que dependem do abastecimento da região.

Fidelis destaca que um dos principais desafios é a necessidade de antecipação dos embarques e a formação de estoques de segurança, “a indústria precisa antecipar o máximo possível de cargas, o que muitas vezes exige a locação de armazéns para armazenar matérias-primas e produtos.” ressalta.

Além disso, a redução da capacidade operacional aumenta os custos logísticos e pode afetar o abastecimento da indústria e do comércio local, refletindo também no consumidor final.

Para mitigar tais gargalos, orientamos serem adotadas diretrizes operacionais preventivas, assim é possível minimizar riscos e atrasos dos fretes. Para tais situações a principal recomendação é o planejamento antecipado e acompanhamento dos embarques.

Olhando para a realidade das empresas que atuam na região devem, o Diretor orienta que se deve manter atento à:

  • Concentrar seus embarques nos períodos de maior navegabilidade dos rios (entre os meses de dezembro a setembro);
  • Manter estoques estratégicos para garantir a continuidade das operações;
  • Acompanhar constantemente as condições climáticas e os níveis dos rios, permitindo ajustes rápidos na programação logística sempre que necessário.

“Diante da nova realidade climática mundial, cada segmento que atua no Norte do Brasil deve acompanhar de perto as medições dos especialistas do clima e adequar suas logística conforme a variação dos níveis dos rios, seja em estiagens moderadas ou severas“, destaca Fidelis.

Planejamento é a chave

Diante de cenários de restrição de capacidade e redução de allocation, nós trabalhamos com um plano de contingência estruturado para garantir a continuidade das operações e oferecer maior previsibilidade aos clientes.

Com escritório próprio em Manaus e acompanhamento próximo das operações na região, nossa equipe monitora constantemente o cenário logístico para orientar decisões e minimizar impactos na cadeia de suprimentos.

Dependendo da necessidade da carga, avaliamos alternativas como transporte aéreo para demandas críticas, operações Sea & Air para equilibrar prazo e custo, além do modal marítimo com visibilidade completa do lead time, permitindo um planejamento mais assertivo.

Nosso domínio de toda a cadeia logística e o relacionamento consolidado com portos, aeroportos e parceiros estratégicos garantem acesso pessoal às operações e comunicação ágil durante todo o processo, oferecendo, assim, mais transparência e previsibilidade aos clientes.

Seguimos preparados para apoiar suas necessidades logísticas, entre em contato com nossa equipe para tomar a decisão certa e a garantir o sucesso do seu embarque em cada cenário.

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