Desde 28 de fevereiro de 2026, a escalada de tensões no Oriente Médio tem gerado impactos relevantes no comércio internacional e nas cadeias logísticas globais. A ofensiva militar coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã desencadeou uma série de retaliações na região, ampliando o cenário de instabilidade geopolítica.
Entre as principais consequências está a interrupção da navegação no Estreito de Ormuz, corredor estratégico responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e volumes significativos de GNL. A paralisação do tráfego marítimo na região afeta diretamente o fluxo de energia e mercadorias entre Ásia, Europa e Américas, aumentando a pressão sobre rotas, custos e prazos logísticos globais

Contextualização operacional e impactos logísticos
A interrupção da navegação no Estreito de Ormuz, já produz efeitos imediatos no transporte intercontinental e tende a gerar impactos sistêmicos caso o cenário se prolongue. No curto prazo, observa-se:
- Redução do tráfego de petroleiros e navios de carga na região, com embarcações optando por aguardar em áreas seguras ou redirecionar rotas;
- Elevação relevante do risco operacional e dos prêmios de seguro para viagens no Golfo Pérsico;
- Pressão sobre os preços do petróleo e combustíveis (bunker marítimo e querosene de aviação), impactando transversalmente todos os modais.
Em uma perspectiva operacional mais ampla, as restrições impostas podem desencadear:
- Congestionamentos em hubs estratégicos de transbordo fora da zona de risco;
- Possível aumento do custo de combustível de transportes terrestres e ferroviários;
- Acúmulo de carga em portos do Golfo Árabe enquanto o acesso permanecer limitado;
- Omissão de escalas e redirecionamento de descargas para portos alternativos na África Oriental ou Subcontinente Indiano;
- Alongamento de transit times e instabilidade de schedule;
- Desorganização no reposicionamento global de contêineres vazios;
- Redução temporária da oferta efetiva de capacidade, aumentando o risco de blank sailings;
- Pressão adicional sobre fretes, ajustes de BAF/Bunker e sobretaxas de risco de guerra.
- Caso a instabilidade se mantenha por período prolongado, o impacto tende a migrar de uma disrupção regional para uma reprecificação temporária da logística global, com efeitos em múltiplos trades e cadeias de suprimento
🚢 Impactos no Modal Marítimo
Com o aumento do risco geopolítico, os principais armadores já implementaram medidas emergenciais em seus serviços:
- Hapag-Lloyd: Suspensão total de trânsito de embarcações pelo Estreito de Ormuz até novo aviso. Anunciaram cobrança de taxa “war-risk surcharge”.
- Maersk: Suspensão da rota via Estreito de Ormuz, com redirecionamento das embarcações via Cabo da Boa Esperança
- MSC: Suspensão imediata de bookings com destino ao Oriente Médio em nível global. Embarcações direcionadas para áreas consideradas seguras.
- CMA CGM: Embarcações com destino ao Golfo redirecionadas para áreas de abrigo; suspensão de passagem pelo Canal de Suez e interrupção imediata de novos bookings para carga reefer na região.
- Evergreen: Suspensão de novos bookings e interrupção na liberação de contêineres.
✈️ Impactos no Modal Aéreo
Assim como no modal Marítimo, os conflitos também estão afetando os serviços no modal aéreo. Já é visível a concentração de voos comerciais ativos na Europa, Ásia e rotas alternativas ao Oriente Médio, evidenciando a redução significativa de tráfego sobre áreas atualmente restritas (Irã, Iraque e Síria) e o desvio operacional para corredores ao norte (Turquia/Cáucaso/Ásia Central) e ao sul (Egito/Mar Vermelho), refletindo diretamente nas recentes restrições da malha aérea internacional.

É esperado que todas as companhias suspendam ou cancelem voos para destinos no Oriente Médio, incluindo Tel Aviv, Dubai, Doha e Abu Dhabi. A Cargolux se pronunciou formalmente indicando expectativa de aumento no fuel surcharge enquanto é esperado movimentos similares de demais cias.
Já foi confirmada oficialmente a suspensão total da rota por diversas companhias aéreas do Oriente Médio, Europa, Ásia e Américas, incluindo grandes players globais.
A medida amplia os impactos na malha aérea internacional e pode gerar reflexos em prazos, custos e disponibilidade de espaço nas próximas semanas.
A utilização de rotas alternativas para contornar áreas de conflito, tende a sofrer impactos operacionais significativo visto que esses desvios prolongam o tempo de voo e elevam o consumo de combustível, resultando em uma pressão direta sobre os custos logísticos e na redução da capacidade disponível no mercado.

Continuaremos acompanhando de perto os desdobramentos e manteremos todos atualizados sobre quaisquer impactos relevantes.
Em caso de dúvidas, entre em contato com a equipe.