Report Logístico | Fevereiro 2026

FCL Ásia

🌏 Trade Ásia – Brasil: Principais Movimentações (Jan/Fev)

China️: Com o encerramento do Ano Novo Chinês (17–22/fev), nas operações esperam-se impactos do pré-loading típicos do período. Apesar do aumento sazonal de embarques, em 2026 observa-se um pico menos intenso em algumas rotas, com maior seletividade na demanda.

Os armadores seguem lidando com sobreoferta de capacidade e ajustes na gestão de frota, mantendo pressão sobre os níveis de frete. Como resposta, vêm sendo aplicados blank sailings para equilibrar a oferta e sustentar preços, além da expectativa de aplicação de GRIs em março, movimento comum para o período.

Operacionalmente, há registros de congestionamentos de aproximadamente 2 a 3 dias nos base ports, impactando cut-offs e transit times estimados.

Frete Marítimo: O mercado iniciou 2026 com pressão baixista nos fretes spot, especialmente nas rotas core saindo da Ásia, enquanto armadores buscam sustentar preços por meio da gestão de capacidade. Tanto o WCI Drewry quanto o SCFI indicaram queda nas últimas publicações, reforçando a pressão tarifária concentrada nas saídas asiáticas, ainda não refletida de forma homogênea no mercado global.

O período pós-feriado tende a permanecer volátil, com novas tentativas de recomposição tarifária via GRIs e ajustes de oferta. No entanto, a sustentação desses movimentos dependerá diretamente da consistência da demanda nas próximas semanas.

Mar Vermelho/Canal de Suez: O tráfego segue reduzido, mas Maersk e Hapag-Lloyd estão atualmente testando travessias sob escolta naval. A CMA CGM também avalia retomadas pontuais, porém de forma menos consistente. A ONE recentemente reiterou a necessidade de melhorias nas condições de segurança antes de considerar o retorno à rota, enquanto outros armadores permanecem cautelosos.

Caso a retomada se consolide, a tendência é de um período inicial de reacomodação operacional, seguido por redução nos transit times e aumento gradual da oferta de capacidade.

Cenário de instabilidade controlada: No último mês, o trade Ásia apresentou viés de queda nos fretes, refletindo o aumento da capacidade global acima do crescimento da demanda. Como resposta, armadores vêm ajustando a oferta por meio de blank sailings e sinalizando GRIs relevantes, incluindo tentativas na ordem de até USD 1.000/FEU a partir de março, buscando recuperar níveis tarifários.

O período pós-Ano Novo Lunar cria uma janela favorável para essas tentativas, pois a retomada gradual (levando em conta a perspectiva moderada da demanda) dos embarques permite aos armadores restringir a oferta e aplicar aumentos. No entanto, o excesso estrutural de capacidade tende a limitar a continuidade desses GRIs no médio prazo, mantendo o mercado volátil, mas estruturalmente mais favorável aos embarcadores.

Impactos para o Brasil: Caso o GRI previsto para março seja efetivamente implementado pelos armadores, para o Brasil, esse cenário pode se traduzir em menor confiabilidade de schedule (schedule reliability), alterações frequentes nos transit times estimados e maior variabilidade de ETD/ETA nos portos, exigindo maior antecipação no planejamento dos embarques. Adicionalmente, espera-se aumento no risco de rolagens e necessidade de maior flexibilidade operacional por parte dos embarcadores, diante de ajustes constantes nas programações dos serviços.

 

FCL Europa

Cenário Marítimo Europa – Fevereiro

Abaixo, um panorama por sub-região:

Norte da Europa

O inverno rigoroso segue gerando backlog de cargas e congestionamentos portuários. Tempestades no Golfo da Biscaia causaram atrasos adicionais, com mudanças frequentes de schedule e impactos em custos operacionais. Apesar de uma leve melhora com o avanço das condições climáticas, ainda há desafios no transporte rodoviário interno, especialmente na região de Munique (ALE).

Em relação a equipamentos, persiste a escassez, resultando em atrasos nas coletas, com maior criticidade para reefers. O prazo padrão para reservas permanece entre 2 e 3 semanas.

Mediterrâneo e demais regiões

Assim como no Norte da Europa, o Sul de Portugal também vem sofrendo impactos das fortes tempestades recentes, incluindo a tempestade Kristin. Foram registrados atrasos na chegada de navios em Lisboa e Leixões, sendo este último o mais afetado, com média de até 8 dias. A aproximação da depressão Leonardo trouxe riscos adicionais, como ventos fortes, agitação marítima e episódios de neve. Foi sinalizada escassez de contêineres 20’ Dry, especialmente com a Maersk em PTLEI/PTLIS, com expectativa de menor disponibilidade nos próximos meses.

Na Espanha, há boa disponibilidade de caminhões, com problemas pontuais no transporte multimodal rodoviário-ferroviário no norte do país. A Maersk apresenta restrições específicas de espaço e equipamentos em algumas rotas, enquanto os demais armadores seguem com disponibilidade geral satisfatória. Na França, as operações logísticas estão normalizadas, sem impactos relevantes, sendo recomendado que o pre carriage  seja reservado entre 5 e 6 dias antes do carregamento.

Na Itália, foi identificada escassez de contêineres de 20’ nos portos de La Spezia, Gênova e Livorno, impactando diretamente o fluxo de embarques. Como alternativa operacional, a MSC surge como opção mais estável no momento, sem registro de falta de equipamentos e mantendo suas rotas operando normalmente.

Na Turquia, o mercado permanece estável, com boa disponibilidade de equipamentos e prazo médio de booking em torno de 3 semanas antes do ETD. Custos EXW apresentam leve tendência de alta devido ao cenário inflacionário local, somado ao aumento de taxas de origem e ao impacto do combustível nos custos de coleta.

Adicionalmente, destaca-se lentidão nas operações em Tânger (MAR), em função de fortes chuvas e inundações recentes.

 

FCL Américas

Cenário Marítimo Américas – Fevereiro

🌎 Estados Unidos

As importações nos EUA registraram redução recente, impactadas pelas tensões geopolíticas entre China e EUA, resultando também em menor disponibilidade de equipamentos, especialmente 40’HC, com destaque para escassez nas rampas de Kansas e Chicago. Embora a situação ainda esteja controlada, a continuidade da queda nas importações pode gerar desequilíbrios regionais na oferta de contêineres.

Os congestionamentos na Europa, mencionados anteriormente, seguem causando atrasos de schedule e omissões em portos americanos. Além disso, a baixa capacidade dos navios direcionados aos EUA impacta a disponibilidade de vazios e a confiabilidade dos serviços, com exceção de Hapag-Lloyd e Maersk, que apresentam cerca de 92% de schedule reliability.

Os portos da Costa Leste e do Golfo operam de forma normalizada, enquanto a Costa Oeste ainda enfrenta atrasos decorrentes de condições climáticas recentes. O transporte rodoviário permanece entre os segmentos mais afetados pelo clima, com expectativa de oscilações de custos e necessidade de agendamentos antecipados ao longo de fevereiro.

 

AIR – ALL TRADES

🌎 Europa

Região apresenta estabilidade na demanda, mas continua com pressão tarifária negativa.

  • Volumes -1% YoY na week 3, tornando a Europa a única grande região com leve retração recente em volume.
  • Tarifas spot -10% YoY, refletindo excesso relativo de capacidade e competição elevada.
  • Apesar da retração como origem, Europa registra forte crescimento como destino, especialmente nas rotas provenientes da Ásia.
  • Fluxos Ásia → Europa continuam sendo um dos principais motores do crescimento global em air cargo.

 

🌎 Ásia–Pacífico/Ásia-Latam

Crescimento estrutural consistente, mas com pressão nas tarifas devido ao aumento de capacidade global.

  • Volumes +50% YoY na week 5, crescimento fortemente influenciado pelo Ano Novo Lunar mais tardio em 2026, que deslocou a contração sazonal para fevereiro.
  • Ásia-Europa segue como principal vetor de crescimento: +19% YoY na week 3 e +18% YoY em janeiro (China + Hong Kong), confirmando realinhamento estrutural das rotas.
  • Ásia-EUA apresenta cenário mais heterogêneo: +6% YoY na week 3, mas China e Hong Kong registram queda combinada de -10% YoY em janeiro, refletindo o deslocamento da produção para outros países asiáticos.
  • Sudeste Asiático mantém forte expansão estrutural, com crescimento de +29% YoY em 2025 nas rotas para os EUA e aumentos extremos de até +50% YoY em países como Vietnã e Tailândia.
  • Tarifas spot seguem pressionadas: -11% YoY nas rotas Ásia–EUA e -12% YoY Ásia–Europa, refletindo aumento de capacidade e concorrência entre carriers.

Crescimento permanece sólido em volume, mas sem recuperação proporcional nas tarifas, evidenciando desequilíbrio entre oferta e demanda.

 

🌎 MESA (Middle East & South Asia)

Região com forte crescimento em volume, mas tarifas significativamente pressionadas

  • Volumes +16% YoY na week 2, +15% YoY na week 3 e +10% YoY na week 4, consolidando tendência positiva sustentada desde o final de 2025.
  • Fluxos Índia → EUA registram crescimento de +15% YoY, confirmando expansão contínua mesmo após aumento tarifário americano em 2025.
  • MESA → Europa apresenta crescimento de +16% YoY, impulsionado por hubs estratégicos como Dubai.
  • Tarifas spot -19% YoY, maior queda entre as principais regiões, refletindo forte aumento de capacidade e competição elevada.

Região segue consolidando sua posição como hub alternativo global, mas sem poder de pricing no curto prazo.

 

🌎 Américas (Norte, Central & Sul)

Crescimento moderado em volume, com tarifas ainda pressionadas e volatilidade operacional.

  • Volumes +7% YoY na week 2 e +2% YoY na week 3 na América do Norte, indicando recuperação gradual após o período de baixa sazonal.
  • América Central e do Sul registram crescimento de +5% YoY na week 3, impulsionado principalmente pelo segmento de perecíveis.
  • Exportações de flores e produtos perecíveis sustentam a demanda regional, especialmente no início do ano.
  • Tarifas spot na América do Norte caíram -9% YoY, refletindo aumento de capacidade e maior estabilidade operacional após os picos de 2024.

Eventos climáticos severos impactaram temporariamente os fluxos, mas sem alteração estrutural significativa da demanda.

 

🌐 Tendências Globais

O mercado global apresenta crescimento moderado, com aumento consistente em volume, mas sem recuperação proporcional nas tarifas

  • Volumes globais +22% YoY na week 5, embora fortemente distorcidos pelo calendário do Ano Novo Lunar.
  • Volumes globais +9% YoY em janeiro, refletindo crescimento estrutural mais moderado e sustentável.
  • Spot rates globais estáveis YoY na week 5 e -1% YoY na média de janeiro, confirmando ambiente de pricing pressionado.
  • Capacidade global continua crescendo mais rapidamente que o volume, limitando a recuperação das tarifas.
  • Principais vetores estruturais do mercado incluem:
    • Migração da produção da China para o Sudeste Asiático
    • Crescimento acelerado da Índia e hubs do Oriente Médio
    • Expansão consistente das rotas Ásia → Europa

 

 

Infraestrutura BR – Portos

 

Entre Jan/26 e Fev/26,

Principais planos de melhoria ligados aos portos

  • Dragagem e aumento do calado
    • Suape concluiu dragagem estratégica, permitindo navios maiores e novos terminais.
    • Paranaguá concedeu o canal de acesso à iniciativa privada, com investimento bilionário e aumento do calado.
    • Itajaí iniciou novos contratos emergenciais e prepara concessão do canal.
    • Objetivo central: permitir embarcações maiores, aumentar volume e competitividade internaciona
  • Expansão e novos terminais
    • Santos prepara o leilão do Tecon Santos 10, que será o maior terminal de contêineres da América Latina.
    • Expansão da área operacional do Porto de Santos, aumentando espaço para novos terminais e infraestrutura.
  • Melhoria dos acessos terrestres
    • Um dos maiores gargalos do Brasil hoje é o acesso terrestre, para solucionar tal ponto, existem os seguintes projetos:
    • Obras em Santos focadas em:
      • novas vias
      • melhor drenagem
      • reorganização do fluxo de caminhões
    • Projeto Moegão em Paranaguá melhora a integração ferroviária com o porto.
    • Melhoria e concessão de rodovias: BR-364, BR-163;
    • Expansão massiva das ferrovias: Ferrovia Norte-Sul, Ferrovia de Mato Grosso, FIOL, Transnordestina e Nova Ferroeste.
    • Investimentos recordes em 2026: Cerca de R$ 19,9 bilhões em investimentos ferroviários previstos em 2026, o maior volume da história do país. 
  • Novo modelo de concessão de canais
    • O Brasil começou a conceder canais de acesso à iniciativa privada.
    • Isso garante manutenção contínua e maior previsibilidade operacional.

 

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