Report Logístico | Janeiro 2026| Cenário Global e Impactos para o Brasil

FCL ÁSIA

🌏 Trade Ásia – Brasil: Principais Movimentações (Dez/Jan)

China ☀️A China anunciou, em 8 de janeiro de 2026, mudanças relevantes em sua política de incentivos às exportações de produtos fotovoltaicos e baterias. A partir de 1º de abril de 2026, o reembolso de IVA para exportações de produtos solares será cancelado. Já para baterias, a alíquota de restituição será reduzida de 9% para 6% até dezembro de 2026, com eliminação total do benefício a partir de janeiro de 2027.

Na prática, essas medidas tendem a elevar o custo dos produtos chineses nesses segmentos, reduzindo a competitividade internacional e pressionando preços ao longo da cadeia global. Para importadores, inclusive no Brasil, os impactos podem começar a ser percebidos já a partir do segundo trimestre de 2026, especialmente em operações envolvendo painéis solares, baterias e itens correlatos.

Frete Marítimo 🚢💰Às vésperas do Ano Novo Lunar (15 à 22 de Fevereiro), as tarifas spot entre Ásia e Estados Unidos registraram alta próxima de 60% em apenas um mês, impulsionadas pela antecipação de embarques e pela redução relativa de capacidade disponível. (SeatradeMaritime) Em cenários de aquecimento nas rotas transpacíficas, armadores costumam priorizar alocação de navios e equipamentos para os trades mais rentáveis, o que pode reduzir oferta efetiva em rotas secundárias, como Ásia–América do Sul. Para importadores brasileiros, o período pré-Ano Novo Chinês exige planejamento mais rigoroso, com antecipação de bookings e maior flexibilidade operacional para mitigar riscos de atraso e volatilidade de custos.

Cenário de instabilidade moderada ⚠️:  Após o feriado de Ano Novo Chinês, não se espera um retorno imediato ao ritmo normal do mercado de fretes. Para o serviço SAEC, isso sugere que a retomada pós-feriado provavelmente será gradual, com desafios operacionais persistindo além da semana oficial de retorno. Importadores devem antecipar janelas mais longas para confirmação de espaço e possíveis ajustes nos cronogramas de chegada, além de considerar antecipação de bookings e planejamento de estoque para mitigar atrasos inesperados causados por congestão e retomada escalonada da cadeia logística. (Maersk)

Impactos para o Brasil🔄: Conforme observado em anos anteriores, nas semanas que antecedem e, principalmente, logo após o Ano Novo Chinês, há aumento relevante no risco de rolagens, atrasos operacionais e menor confiabilidade dos schedules. A retomada gradual das operações nos portos de origem tende a alongar o transit time e gerar restrições pontuais de espaço. Para o Brasil, esse cenário se traduz em maior imprevisibilidade nas janelas de embarque e chegada, além de pressão adicional sobre os níveis de frete, impulsionada pela concentração de demanda no pós-feriado e pela capacidade ainda em processo de normalização.

 

Principais movimentações:

 

FCL EUROPA

Panorama Geral Europa -> América do Sul

No que se refere a espaço nos navios, não há restrições relevantes no momento. Os valores de frete marítimo permanecem estáveis em patamares historicamente baixos para o Q1 2026. No entanto, a partir de janeiro deste ano, todo o setor de transporte e shipping na Europa passará a arcar integralmente com os custos das emissões de carbono, o que resultará em um aumento do surcharge de EU ETS. É esperado que esse reajuste também se reflita nos custos de transporte inland ao longo do ano.

Abaixo, um panorama por sub-região:

Norte da Europa

Condições climáticas severas (neve, gelo e frio intenso) impactando operações em especial em Rotterdam e Hamburgo. Interrupções e restrições operacionais: paralisações rodoviárias, fechamento de terminais, restrições de acesso e congestionamentos. Aumento de atrasos e tempos de espera, afetando cargas de importação e exportação. Serviços ferroviários também impactados por congelamento de trilhos. Frete marítimo segue estável para Q1/2026, porém haverá aumento de custos com EU ETS a partir de janeiro, com impacto também no inland.

Mediterrâneo e demais regiões

Janeiro e fevereiro costumam ser meses mais estáveis, sem expectativa de grandes disrupções. Pequena restrição inicial de caminhões e contêineres devido a feriados, já em processo de normalização. Prazo médio para obtenção de espaço: ~1 semana. Intervalo entre booking e ETD: 1 a 2 semanas. Frete marítimo estável, com reajuste de ETS também observado (como no Norte da Europa).

 

FCL AMÉRICAS

Cenário Marítimo Américas – Outubro

🌎 Estados Unidos

Relatório recente aponta que os portos norte-americanos — como Long Beach, Seattle-Tacoma e Nova York/Nova Jersey — operam com níveis de utilização mais equilibrados, muito abaixo dos picos de congestionamento de 2021-22. Entretanto, ainda há escassez de equipamentos (contêineres e vagões ferroviários) para exportação, o que pode limitar a eficiência do fluxo de cargas saindo dos Estados Unidos para destinos como o Brasil. (chrobinson). O impacto logístico está relacionado a disponibilidade de espaço no navio, que pode melhorar, mas a escassez de equipamentos e limitações logísticas internas continua sendo um fator de custo e de planejamento operacional.

No geral, não há reflexos relevantes sobre cronogramas ou embarques com origem nos EUA.

 

AIR – ALL TRADES

🌎 Europa

Beneficiária direta da reorganização dos fluxos asiáticos, mas com pressão em tarifas.

  • Volumes mantêm crescimento sólido YoY, impulsionados principalmente pela redistribuição de cargas da Ásia, em especial China e Hong Kong, que migraram parte relevante de seus fluxos do eixo EUA para a Europa.
  • Tráfego Ásia–Europa apresenta crescimento de dois dígitos YoY, com destaque para Taiwan, Vietnã, Indonésia, Hong Kong e China.
  • Apesar da força em volume, tarifas spot permanecem abaixo de 2024, com quedas YoY visíveis em dezembro, refletindo maior oferta de capacidade.
  • Diferença clara entre origens: China → Europa com tarifas YoY positivas, enquanto Hong Kong e Coreia seguem com pressão negativa.
  • Perspectiva de curto prazo indica estabilidade de volumes, mas pouco espaço para recuperação consistente de tarifas sem novos choques de capacidade ou demanda.
  • Condições climáticas severas na Europa (neve, gelo e frio intenso) gerando cancelamentos de voos principalmente em Amsterdam, mas também em outros importantes Hubs como Paris. Atrasos e aumento de tarifas momentâneas foram reportados.

🌎 Ásia–Pacífico/Ásia-Latam

Crescimento estrutural sustentado por realocação produtiva e e-commerce.

  • Região com maior crescimento YoY global em 2025, liderando volumes tanto no acumulado do ano quanto em dezembro.
  • Sudeste Asiático se consolida como principal motor de expansão, com crescimento extremamente elevado nas rotas para os EUA, compensando a retração da China.
  • China e Hong Kong apresentam:
    • Queda YoY relevante nos fluxos para os EUA.
    • Crescimento consistente nas exportações aéreas para a Europa.
  • Tarifas spot APAC → EUA seguem abaixo de 2024, mas o gap vem se fechando rapidamente, com China → EUA retornando a níveis equivalentes ao ano anterior no fim de dezembro.
  • Ásia–Latam permanece aquecida, sustentada por e-commerce cross-border e antecipação de estoques, mantendo crescimento YoY acima da média global.
  • Capacidade segue relativamente controlada, o que ajuda a segurar tarifas no APAC em patamares mais resilientes que outras regiões.
  • Entre a segunda quinzena de Dezembro e primeira quinzena de Janeiro, os fretes da China apresentaram grande redução, sem reports de backlogs ou grandes atrasos. Porém, com a aproximação do Ano Novo Chinês, são esperados reajustes de tarifas e espaço cada vez mais restrito com a aproximação do feriado.

🌎 MESA (Middle East & South Asia)

Crescimento de volume sem sustentação de preços

  • Volumes mantêm crescimento YoY robusto, acima da média global em vários períodos de Q4.
  • Em contrapartida, tarifas spot registram a maior queda YoY entre todas as regiões, tanto em novembro quanto em dezembro.
  • O descompasso entre oferta e demanda permanece evidente, com pressão estrutural de capacidade.
  • A recuperação tarifária segue limitada, mesmo com crescimento de volumes, indicando ambiente altamente competitivo.
  • No curto prazo, o mercado continua dependente de ajustes de capacidade para qualquer normalização de preços.

🌎 Américas (Norte, Central & Sul)

Mercado fragmentado, com mudanças claras na origem da demanda.

  • América do Norte apresenta crescimento moderado de volumes YoY, com recuperação após distorções pontuais (ex: feriados).
  • Mercado Norte Americano aquecido, com grandes volumes de carga circulando neste mercado, gerando possíveis atrasos e tarifas mais altas.
  • O eixo Ásia → EUA mostra recomposição parcial, mas com perfil totalmente diferente:
    • Menos China e Hong Kong.
    • Mais Sudeste Asiático e Índia.
  • Índia → EUA volta a registrar volumes acima do ano anterior por várias semanas consecutivas, após queda no primeiro semestre.
  • América Central e do Sul seguem com crescimento YoY consistente em volumes, mas tarifas continuam pressionadas na comparação anual.
  • O mercado latino permanece sustentado por perecíveis, pharma e e-commerce, mas sem força suficiente para reverter a tendência tarifária YoY negativa.

 

Infraestrutura BR – Portos

Entre Dez/25 e início de 26,

Bloco de leilões portuários marcado para 26/02/2026 – R$229 milhões em investimentos

  • Leilões portuários (bloco de fev/2026): O governo confirmou um primeiro bloco de leilões para 26 de fevereiro de 2026, com investimentos estimados em R$ 229 milhões (4 terminais: Macapá, Natal, Porto Alegre e Recife). Esse é o principal evento de curto prazo que pode alterar capacidade/região de escoamento.
  • Plano/agenda da ANTAQ 2026: A ANTAQ publicou seu Plano de Gestão/Plano Anual 2026 (metodologia OKR), reforçando prioridade em leilões, regulação e projetos de infraestrutura. Isso dá respaldo institucional à onda de concessões e investimentos.
  • Investimentos em hidrovias e dragagens: Em 2025 o Ministério reportou +R$ 529 milhões aplicados em dragagens de manutenção, modernização de eclusas e IP4s, com continuidade de obras para 2026. Isso reforça a limpeza/manutenção de acessos e capacidade de cabotagem/hidrovia.
  • Porto de Santos – expansão e prazos em aberto: Projetos de expansão (incl. polígono e Tecon) seguem em destaque; há atrasos/adiamentos nas autorizações federais e discussões sobre leilões relacionados ao canal de acesso/tecnologia portuária – prazos foram reestimados para início de 2026/março para alguns leilões locais. O Porto mantém investimentos e caixa relevantes (reportado R$ 4 bi em caixa).
  • Obras locais e dragagens ativas: Exemplos recentes: dragagem do Canal da Feitoria (RS) em andamento; obras de reforço/estruturais em Imbituba; dragagem na Baía da Babitonga visando aumentar calado e capacidade de navios maiores. Essas ações têm impacto direto na profundidade operacional e janelas de atracação.
  • Iniciativa privada e projetos empresariais: Operadores privados anunciam ampliações (ex: Santos Brasil ampliando Tecon e área de armazenamento visando até 3 milhões TEUs) – indica apetite privado para expandir capacidade de contêineres, mesmo num ano de estabilização e manutenção econômica. (Poder360, Gov, Neofeed, Porto Imbituba, Porto SRS, BE News, Portal Portuário)

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