Report Logístico | Novembro 2025 | Cenário Global e Impactos para o Brasil

O panorama logístico global passa por um momento de fortes oscilações, influenciado pelo comportamento dos fretes marítimos, gargalos operacionais na Ásia e na Europa, instabilidade na carga aérea e mudanças estruturais na infraestrutura portuária do Brasil. Este report reúne os principais destaques e tendências que devem impactar embarcadores, importadores e exportadores nas próximas semanas.

 


Cenário Marítimo Ásia–Brasil

As exportações brasileiras para a Ásia cresceram 21,2% em outubro, impulsionadas por China, Índia, Cingapura e Filipinas, com destaque para produtos agrícolas e minerais. Apesar da expansão, a queda recente dos fretes trouxe instabilidade na oferta de espaço, exigindo maior planejamento na antecipação das reservas.

Após cinco semanas de alta, o SCFI registrou sua primeira queda na semana 45. Os aumentos anteriores foram puxados pelos trades USEC, USWC, NEUR e MED — e não pela rota Ásia–Latam. A maior oferta de espaço e o fim dos ataques dos Houthis reforçam a tendência de recuo das tarifas, embora ainda com volatilidade.

Gráfico SCFI

Nos portos asiáticos, a pressão continua: hubs como Singapura operam no limite, com atrasos, pátios lotados e efeitos cascata em diferentes rotas. Grande parte dos navios segue em rerouting por questões geopolíticas e operacionais, elevando a incerteza das escalas.

No FCL Ásia, a demanda segue abaixo da oferta. Armadores chegaram a operar abaixo do ponto de equilíbrio no Q3 2025, aumentando o risco de blank sailings e de novos reajustes de frete em dezembro.

Impactos diretos para o Brasil

  • Superávit segue consistente, sustentado pela demanda internacional por commodities.
  • Importações da Ásia pressionam o curto prazo.
  • Sobrecapacidade global mantém o frete contido, mas sujeito a oscilações rápidas.
  • O SCFI voltou a cair após resistência na semana 44, refletindo fragilidade da demanda.

 


Cenário Marítimo Europa

O ambiente logístico europeu continua pressionado, especialmente no Norte, com congestionamentos, atrasos, greves e blank sailings.

Destaques por região:

  • Norte da Europa: forte restrição de espaço, navios lotados e lead time de haulage na Alemanha chegando a 2–3 semanas. Entra em vigor o Secure Release Order, exigindo German Ports ID.
  • Koper: capacidade limitada por obras ferroviárias até o fim do ano.
  • França: operações estáveis, mas com espaço começando a apertar.
  • Reino Unido: boa disponibilidade de caminhões; ETD real ocorre 1–2 semanas após o booking.

Sub-regiões adicionais:

  • Turquia: falta crônica de contêineres 20’.
  • Itália: fortes restrições para Manaus; alguns armadores com suspensões de booking.
  • Portugal e Espanha: coletas funcionam normalmente, mas há falta de equipamentos. Redução de escalas em Sines afeta embarques para o Sul e Sudeste — Itapoá surge como alternativa mais eficiente.

 


Cenário Marítimo Américas

Estados Unidos

Com o fim do shutdown após acordo no Congresso, BIS e CBP retomaram operações normais. Os portos operam de forma estável.

Caribe e América Central

O furacão Melissa, que atingiu a Jamaica no fim de outubro, gerou ajustes temporários em Kingston, importante hub regional. As rotas estão em fase de normalização.

Porto nas Américas

 


Cenário Aéreo Global

Variações por região no aéreo global

O mercado de carga aérea segue aquecido, com volumes globais +6% YoY, mas enfrentando pressões típicas de temporada e variações regionais.

Europa

  • Tarifas em alta e espaço restrito pela Peak Season.
  • Portugal é exceção, com aumento de capacidade para o Brasil.
  • Tarifas europeias +1% YoY.

Ásia & Pacífico

  • Tarifa em elevação e espaço reduzido devido ao e-commerce.
  • APAC cresce +9% YoY; Sudeste Asiático chega a +50% YoY para os EUA.
  • China registra queda de -9% YoY.
  • Tarifas: APAC → EUA -15% YoY; China → Europa +6% YoY.

América Latina (CSA)

Demanda firme puxada por pharma, perecíveis e e-commerce. Espaço limitado em rotas EUA–Latam e Europa–Latam.

MESA

Excesso de capacidade pressiona tarifas: spot rates -27% YoY. Tensões no Mar Vermelho e restrições em Bangladesh agravam o cenário.

 


Infraestrutura Portuária Brasileira

O Brasil vive um momento de avanços estruturais importantes:

  • Porto de Santos registra recorde histórico: 243.860 TEUs em outubro/2025 — maior marca da América do Sul.
  • Governo reforça plano de concessões e modernização, com R$ 9 bilhões previstos até 2027.
  • Paranaguá receberá R$ 1,5 bilhão para expansão, novos pátios, acesso rodoviário/ferroviário e modernização do cais.

Apesar dos progressos, ainda persistem desafios como:

  • Infraestrutura deficiente em algumas regiões.
  • Baixa integração multimodal.
  • Entraves regulatórios que afetam eficiência operacional.

Porto nas Américas

 


O panorama logístico global segue marcado por volatilidade, especialmente no eixo Ásia–Brasil e nas rotas europeias. No marítimo, a combinação de sobrecapacidade e gargalos portuários cria um ambiente de cautela. No aéreo, a alta sazonal e o avanço da Ásia moldam os preços e a competitividade das rotas. Já no Brasil, os recordes e investimentos reforçam a necessidade de modernização contínua.

Para minimizar impactos, embarcadores devem priorizar planejamento antecipado, monitoramento diário de mercado e diversificação de rotas e modais, garantindo maior previsibilidade em um cenário ainda instável.

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